Via Injetável (Algestona Acetofenida + Enantato de Estradiol)
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A injeção de enantato de estradiol com algestona acetofenida baixa a testosterona por conta própria na quase totalidade das pessoas. É bem provável que você não precise de nenhum bloqueador oral, e começar tomando comprimidos junto com a ampola só gera sobrecarga no fígado sem benefício.
Casos em que a injeção sozinha não é suficiente são raros e quase isolados. Você deve fazer o exame de sangue após 1 mês de uso no ponto mais baixo da dose (no dia da próxima injeção, antes de aplicar) apenas para se certificar de que os seus níveis estão controlados. Somente se esse exame acusar testosterona persistentemente alta (> 50 ng/dL) ou escape das suprarrenais (DHEA-S alto com acne resistente) é que se avalia encurtar o intervalo ou adicionar um bloqueador com orientação médica.
A aplicação dessa injeção é intramuscular profunda (no músculo da coxa ou do glúteo). Se você nunca aplicou ou quer se autoaplicar com segurança, consulte o manual com fotos anatômicas, escolha de agulhas, quebra da ampola, assepsia e técnica em Z:
1. O que é e como funciona
Solução oleosa injetável para administração intramuscular profunda, formulada originalmente como contraceptivo de depósito. Cada ampola padrão de 1 mL contém uma dose combinada fixa:
- 10 mg de Enantato de Estradiol (EEn): Éster de liberação prolongada que é clivado gradualmente no sangue, mantendo níveis elevados e estáveis de estradiol ativo sem passar pelo fígado.
- 150 mg de Algestona Acetofenida (DHPA): Progestágeno de depósito com potente efeito antigonadotrópico. Ele atua no cérebro suprimindo fortemente os hormônios LH e FSH, desligando com muita eficácia a produção gonadal de testosterona.
Embora o SUS não forneça essa apresentação, o Protocolo Trans de São Paulo (SMS-SP, 2024) cita a associação de enantato de estradiol (10 mg) com algestona acetofenida (150 mg), registrando que ela é usada por 82,6% da população transfeminina no Brasil e parece muito segura e efetiva para feminização e antiandrogenização.
2. O que comprar e como escolher na farmácia
A farmacêutica Boehringer Ingelheim encerrou a importação e distribuição da marca original Perlutan® no Brasil. No entanto, o nome tornou-se um sinônimo popular. Hoje, você encontra exatamente a mesma formulação nas farmácias sendo vendida por meio de genéricos (buscando pelo nome dos princípios ativos) ou marcas similares (como Uno-Ciclo e Pregnolan).
No balcão da farmácia ou em compras online, é comum se confundir entre as injeções disponíveis. Use esta tabela de referência antes de comprar:
| O que você procura | Opções indicadas | O que evitar (armadilhas comuns) |
|---|---|---|
| Injetável de depósito (Algestona + Enantato) | Genéricos: Enantato de Estradiol 10 mg + Algestona Acetofenida 150 mg (EMS, Eurofarma, Teuto, Neo Química, Cimed, Legrand) Similares de marca: Uno-Ciclo (EMS), Pregnolan, Preg-Less, Dáiva, Ciclovular | Mesigyna ou Noregyna (contêm noretisterona, que masculiniza e tem pouco estradiol) Depo-Provera (injeção trimestral sem nenhum estrogênio) Iniciar com bloqueador oral de rotina no primeiro dia (na maioria dos casos a injeção já suprime a testosterona por conta própria; bloqueadores só devem ser associados se exames indicarem necessidade, como escape adrenal ou não supressão) |
| Estradiol puro injetável | Não existe à venda pronta em farmácias comerciais brasileiras | Não compre injeções desconhecidas achando que são estradiol puro de balcão |
As maiores armadilhas no balcão da farmácia:
1. A armadilha da Mesigyna e Noregyna
Se você chegar na farmácia e pedir "anticoncepcional injetável mensal", muitos balconistas oferecem a Mesigyna ou a Noregyna. Elas contêm enantato de noretisterona (50 mg) e apenas 5 mg de valerato de estradiol. A noretisterona é uma progestina sintética derivada da testosterona com efeito androgênico residual (pode causar acne, oleosidade e efeito masculinizante). Além disso, a dose de estradiol é a metade da dose da Perlutan. Não compre Mesigyna nem Noregyna.
2. A armadilha da Depo-Provera (Injeção de 3 meses)
A Depo-Provera é uma injeção trimestral de progestina pura (acetato de medroxiprogesterona 150 mg) e não contém nenhum tipo de estrogênio. Se você tomar a Depo-Provera achando que é hormônio feminino, você ficará com zero estradiol no corpo, sem nenhum efeito de feminização.
3. Comprar bloqueador na farmácia para começar junto logo no primeiro dia
Quem vem dos comprimidos ou do gel costuma ter o reflexo de comprar ciproterona ou espironolactona para tomar já no primeiro dia de injeção. Começar com bloqueador oral no escuro, sem saber como o corpo reage à ampola, geralmente traz sobrecarga desnecessária ao fígado e à prolactina, já que a injeção combinada costuma suprimir a produção gonadal de testosterona por conta própria. O procedimento recomendado é iniciar apenas com a injeção, aguardar a estabilização (3 a 4 aplicações) e realizar o exame de sangue no ponto mais baixo da aplicação (no dia da injeção, antes da próxima dose). Se os exames ou sintomas mostrarem que a testosterona permaneceu acima da meta feminina ou que há escape androgênico suprarrenal, a associação de um bloqueador específico (como a bicalutamida) ou o ajuste do intervalo pode sim ser introduzido de maneira fundamentada.
4. Não existe estradiol injetável puro nas drogarias comuns do Brasil
Muitas pessoas leem relatos estrangeiros de quem usa injeções de estradiol puro (como valerato de estradiol ou enantato de estradiol sem algestona). No mercado farmacêutico brasileiro de balcão, não existem ampolas de estradiol puro aprovadas para venda em drogarias comuns. As únicas formulações de depósito disponíveis nas farmácias são as combinadas com algestona (Perlutan e similares). Estradiol injetável puro no Brasil só existe por vias de importação ou DIY.
5. Não siga a bula contraceptiva de 30 dias
A bula de farmácia indica aplicar uma ampola a cada 30 dias porque foi desenhada para evitar gravidez em mulheres cisgênero. Embora estudos em ambulatórios brasileiros (como o da UNIFESP/UFU, em que o intervalo médio foi de 21 a 30 dias) mostrem que a algestona continua segurando a testosterona baixa por várias semanas, o enantato de estradiol tem meia-vida muito mais curta (cerca de 5,6 a 7 dias) e cai bastante após o 14º dia. Por isso, na rotina prática recomenda-se manter intervalos de 7 a 14 dias para evitar quedas acentuadas de estrogênio, cansaço e oscilações de humor na segunda metade do mês.
Alergia ao Óleo da Injeção (Amendoim e Gergelim)
As injeções hormonais vêm dissolvidas em óleos vegetais. Se você tem alergia a amendoim ou a gergelim, preste atenção na marca antes de comprar:
- Perlutan e genéricos (EMS, Teuto, Eurofarma): Usam óleo de gergelim. Confira a composição na Bula da Perlutan no Consulta Remédios.
- Uno-Ciclo: Usa óleo de amendoim. Confira a composição na Bula do Uno-Ciclo no Consulta Remédios.
Quem tem alergia a amendoim deve optar pela Perlutan ou pelos genéricos. Quem tem alergia a gergelim deve optar pelo Uno-Ciclo. Sempre confira a bula na farmácia antes de aplicar para evitar reações alérgicas.
Onde Encontrar e Consulta de Preços
Para pesquisar a disponibilidade e comparar preços da ampola (Enantato de Estradiol + Algestona Acetofenida), você pode consultar os seguintes comparadores e redes de farmácia:
3. Dosagens e Regimes de Uso
Nas farmácias, a ampola é vendida contendo 1 mL (10 mg de enantato de estradiol e 150 mg de algestona acetofenida). Existem duas formas de administrar:
- Uso da dose cheia (0,8 a 1,0 mL a cada 14 dias): É a forma mais prática, pois aproveita a ampola inteira sem descarte e mantém boa feminização com duas aplicações ao mês.
- Fracionamento em doses menores (0,3 a 0,5 mL a cada 7 a 10 dias): É uma alternativa para quem busca níveis hormonais mais lineares na semana e nota cansaço, dor de cabeça ou oscilações de humor nos últimos dias do ciclo quinzenal. Exige descartar a sobra da ampola aberta.
Comparativo das Dosagens (Simulação Demonstrativa)
Os valores em pg/mL da tabela e dos gráficos abaixo foram gerados por calculadoras de simulação farmacocinética (modelos matemáticos baseados em médias populacionais de estudos de dose única). Calculadoras servem apenas para demonstrar visualmente a diferença de comportamento entre os intervalos (como a curva sobe no pico e desce no vale após a 3ª ou 4ª aplicação). Na vida real, a absorção intramuscular varia bastante de pessoa para pessoa, e somente o seu exame de sangue mostra o nível real no seu corpo.
| Intervalo | Volume (mL) | Dose Ativa (EEn + DHPA) | Pico Simulado | Vale Simulado (Pré-dose) | Estabilidade | Frequência Mensal |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Semanal (7 dias) | 0,3 mL | 3 mg EEn + 45 mg DHPA | ~214 pg/mL | ~188 pg/mL | Muito estável (quase não oscila) | 4 aplicações |
| Semanal (7 dias) | 0,4 mL | 4 mg EEn + 60 mg DHPA | ~286 pg/mL | ~251 pg/mL | Muito estável (quase não oscila) | 4 aplicações |
| 10 dias (Meio-termo) | 0,5 mL | 5 mg EEn + 75 mg DHPA | ~267 pg/mL | ~194 pg/mL | Moderada (oscilação suave) | 3 aplicações |
| 10 dias (Meio-termo) | 0,6 mL | 6 mg EEn + 90 mg DHPA | ~320 pg/mL | ~233 pg/mL | Moderada (oscilação suave) | 3 aplicações |
| Quinzenal (14 dias) | 0,8 mL | 8 mg EEn + 120 mg DHPA | ~342 pg/mL | ~177 pg/mL | Oscilação ampla (pico quase o dobro) | 2 aplicações |
| Quinzenal (14 dias) | 1,0 mL (cheia) | 10 mg EEn + 150 mg DHPA | ~427 pg/mL | ~222 pg/mL | Oscilação ampla (pico quase o dobro) | 2 aplicações |
Como Ler os Gráficos de Simulação
Para quem acha gráficos difíceis de interpretar, veja de forma prática o que cada linha e cor representa nessas simulações demonstrativas:
- A linha de baixo (dias passando): Mostra os dias do mês correndo da esquerda para a direita. Cada linha vertical pontilhada marca o dia em que você toma a injeção (Dia 0, Dia 7, Dia 14...).
- A altura da curva (hormônio no sangue): Quanto mais alta a linha colorida estiver, mais estradiol você tem circulando no corpo naquele dia.
- O topo da onda (Pico): É o momento de maior quantidade de hormônio no sangue, que ocorre de 2 a 5 dias após a picada. Algumas pessoas notam mais sonolência ou sensibilidade nos seios nessa fase.
- O ponto mais baixo da onda (imediatamente pré-dose): É o finalzinho do efeito, no dia em que você já vai tomar a próxima dose. É neste ponto baixo que você deve fazer o exame de sangue.
- As faixas coloridas no fundo:
- Faixa verde (100 a 200 pg/mL): Faixa alvo padrão das diretrizes médicas internacionais.
- Faixa azul (200 a 300 pg/mL): Faixa onde o estrogênio sozinho costuma manter a testosterona bloqueada sem precisar de remédios adicionais.
- Por que a linha começa baixa e vai subindo? Na primeira injeção seu corpo ainda não tem remédio estocado no músculo. Conforme você toma as doses certas no prazo, o hormônio vai acumulando até atingir uma reserva constante. Por volta da 3ª ou 4ª aplicação (marcada pela linha tracejada "Nível estabilizado"), o corpo entra no ritmo permanente que você manterá nos meses seguintes.
Gráficos Detalhados por Intervalo
1. Regimes Semanais (0,3 mL e 0,4 mL a cada 7 dias)

O enantato de estradiol leva de 4 a 6 dias para atingir o pico e tem meia-vida de cerca de 5,6 a 7 dias. Aplicando a cada 7 dias, a dose anterior ainda está agindo quando a nova entra. Na simulação, a linha fica quase reta, sem subidas ou quedas bruscas.
- Como é no dia a dia: Os níveis hormonais ficam constantes a semana inteira, sem oscilações de humor ou cansaço no final do ciclo.
- O que exige: Aplicação frequente (4 injeções no mês) e descarte da sobra da ampola aberta.
- Quando fazer o exame: No 7º dia pela manhã, antes de tomar a nova injeção.
2. Regimes de Meio-Termo (0,5 mL e 0,6 mL a cada 10 dias)

O ciclo de 10 dias reduz o número de picadas para 3 no mês, sem deixar o hormônio despencar. No modelo demonstrativo, a dose de 0,5 mL alcança cerca de 267 pg/mL no 4º dia e chega ao 10º dia em cerca de 194 pg/mL, bem dentro da faixa esperada.
- Como é no dia a dia: Boa estabilidade física com menos picadas ao longo do mês.
- O que exige: Medir frações da ampola (0,5 ou 0,6 mL) e descartar o líquido restante.
- Quando fazer o exame: No 10º dia, imediatamente antes da próxima picada.
3. Regimes Quinzenais (0,8 mL e 1,0 mL a cada 14 dias)

É a rotina mais comum por dois motivos: são apenas 2 injeções no mês e você aproveita a ampola inteira de 1 mL, sem desperdício. O desenho da curva simulada forma uma onda mais marcada:
- Primeiros dias (dias 2 a 5): O remédio é liberado e a curva simulada sobe até cerca de 427 pg/mL. Algumas pessoas sentem sono, retenção leve de líquido ou sensibilidade nos mamilos nesses primeiros dias.
- Final do ciclo (dias 10 a 14): O hormônio desce devagar até cerca de 222 pg/mL na simulação do 14º dia. Mesmo sendo o ponto mais baixo do ciclo, o nível costuma seguir suficiente para manter a testosterona bloqueada em conjunto com a algestona.
- Quando fazer o exame: No 14º dia, logo antes da injeção seguinte.
4. Ajustes no Calendário e Atrasos
Como Mudar de Intervalo ou de Dose (A Regra do Calendário)
Ao trocar de dose ou de intervalo (por exemplo, saindo de 0,5 mL semanal para 1,0 mL quinzenal), siga este passo a passo:
- Aplique a dose nova no dia previsto da dose anterior: No dia em que você já tomaria a sua dose antiga, aplique a nova dosagem.
- Não espere dias extras sem hormônio: No final do intervalo antigo o medicamento já está no ponto mais baixo. Deixar dias a mais sem aplicar derruba o estrogênio, causando dor de cabeça forte, cansaço e risco de a testosterona voltar a subir.
- Zere o calendário no dia da picada: A partir do dia em que aplicou a nova dose, comece a contar os dias do novo intervalo (por exemplo, 14 dias para a próxima injeção).
- O pico da primeira aplicação: Na primeira transição para 1 mL, a nova ampola se soma ao que ainda restava da semana anterior. Por isso, na simulação do 4º dia o estradiol pode chegar perto de 470 pg/mL, acomodando-se na faixa de equilíbrio nos ciclos seguintes.
O Que Fazer se Esquecer, Atrasar ou Perder Parte da Dose
Esquecer a data da injeção ou ter algum imprevisto na hora de aplicar acontece. Siga estas orientações práticas:
- Nunca tome duas ampolas para compensar: Aplicar o dobro não recupera o tempo perdido. Tomar duas ampolas de vez joga o estradiol a níveis muito altos (acima de 800 pg/mL nas projeções) e despeja 300 mg de algestona no corpo. Isso sobrecarrega o organismo de uma vez, causa enjoo forte, tontura e aumenta o risco de trombose. Mantenha a sua dose normal.
- Atraso curto (1 a 2 dias): O hormônio caiu pouco. Tome a sua dose normal assim que lembrar e comece a contar o seu intervalo de novo a partir desse dia.
- Atraso longo (3 a 7 dias ou mais): O remédio anterior foi quase todo eliminado. Podem surgir dor de cabeça por falta de estrogênio, desânimo e oleosidade na pele. Tome a sua dose normal imediatamente. Em 24 a 48 horas os níveis voltam a subir e os incômodos passam. A partir desse dia, reinicie o calendário regular.
- Se derramou antes de aplicar: Se a ampola quebrou errado, a seringa caiu ou o óleo vazou durante o preparo, descarte o material contaminado e prepare uma nova dose do zero com outra ampola e seringa limpas. Jamais tente reaproveitar óleo que encostou na bancada ou na pele.
- Se vazou durante a injeção ou injetou menos: Se a agulha desencaixou na hora, escorreu parte do líquido ou o êmbolo travou antes do final:
- Não tente injetar um pedaço a mais no olho: É impossível medir quantos mililitros realmente entraram no músculo. Tentar completar no chute pode fazer você aplicar hormônio em excesso e ter efeitos colaterais.
- A conduta segura: Aceite o volume que entrou e siga o seu ciclo normal. Mesmo com uma aplicação parcial, o depósito muscular do enantato e da algestona segura os níveis hormonais por vários dias. Não antecipe a próxima dose nem aplique antes da data: aguarde o dia já programado no seu calendário regular e tome a sua dose habitual no dia certo.
- Exame de sangue após atraso ou perda: Se você atrasou a injeção ou perdeu parte da dose, não faça o exame de sangue nesse ciclo. Espere cumprir pelo menos um ou dois ciclos regulares na data certa para que o resultado do laboratório mostre a sua rotina real.
A bula comercial da Perlutan indica tomar a cada 30 dias porque foi feita para mulheres cisgênero evitarem gravidez. Na hormonização transfeminina, embora a algestona tenha ação prolongada, o enantato de estradiol cai acentuadamente após 14 dias. Para manter níveis estáveis de estrogênio e evitar sintomas de queda hormonal no fim do ciclo, recomenda-se não ultrapassar 14 dias de intervalo entre as injeções.
5. Materiais e Preparo da Injeção
A solução do enantato com algestona é densa e oleosa. Para conseguir medir o volume correto com tranquilidade e aplicar sem dor desnecessária:
- Escolha da Seringa (1 mL ou 3 mL):
- Seringa de 1 mL (Mais prática para doses pequenas): É a mais recomendada para quem está começando ou usa volumes menores (como 0,3 mL ou 0,4 mL), pois sua régua é mais espaçada e graduada de 0,1 em 0,1 mL, facilitando a leitura.
- Seringas de 3 mL (Também podem ser usadas): Dá para usar seringas de 3 mL perfeitamente. A maioria possui marcações a cada 0,1 mL ou 0,2 mL; basta contar os risquinhos da escala com atenção para posicionar o êmbolo na quantidade certa (ex: no terceiro tracinho de 0,1 mL para 0,3 mL, ou na marca de 0,5 mL).
- Agulha de Aplicação (Intramuscular):
- Como a ampola de vidro é aberta diretamente e não possui rolha de borracha, não é obrigatório comprar agulha grossa separada só para puxar o líquido. Você pode puxar e aplicar com a mesma agulha intramuscular padrão.
- Use agulha intramuscular padrão, como 25x0,7 mm ou 30x0,7 mm (ou 30x0,8 mm, que muitas vezes já vem embalada junto com a seringa descartável).
Se você fraciona a dose (por exemplo, aplica 0,5 mL de uma ampola de 1 mL), descarte o que sobrou. Não guarde o restante na seringa nem na geladeira:
- O veículo oleoso degrada o plástico e a borracha do êmbolo com o tempo, liberando compostos na solução.
- Fora da embalagem lacrada, a seringa perde a esterilidade, com alto risco de contaminação bacteriana e abscesso.
- Ampolas de vidro abertas não contêm conservantes bacteriostáticos. Aspire apenas a dose da aplicação e descarte a sobra.
6. Locais de Aplicação
A injeção deve ser aplicada no músculo profundo (via intramuscular):
- Vasto Lateral da Coxa (Face Lateral Externa da Coxa): O melhor local para autoaplicação, pois permite visualização direta, estabilidade nas duas mãos e controle total da velocidade da injeção.
- Glúteo (Quadrante Superior Externo): Região clássica com menor risco de atingir vasos sanguíneos ou o nervo ciático.
- Ventroglúteo (Região Lateral do Quadril): Excelente músculo, seguro e com poucas terminações nervosas.
- Alterne os lados: Se aplicou na coxa/glúteo direito nesta semana, aplique no lado esquerdo na próxima aplicação para prevenir endurecimento do músculo e fibrose.
- Injete devagar: Por ser um veículo oleoso espesso, empurre o êmbolo lentamente (cerca de 10 a 15 segundos para injetar todo o líquido).
- Guia Passo a Passo com Fotos: Para aprender a quebrar a ampola, fazer assepsia, posicionar a agulha no ângulo de 90 graus e aplicar a técnica em Z (para o remédio não vazar), acesse o Guia Completo de Técnicas Injetáveis.
7. Quando Fazer o Exame de Sangue (Momento Exato da Coleta)
Fazer o exame de sangue no dia errado com remédio injetável é um dos erros mais comuns e pode distorcer toda a avaliação da sua terapia hormonal.
O Que É o Nível no Vale e Por Que Ele Importa
Quando você toma uma injeção de depósito (como a Perlutan ou similares), o hormônio entra no sangue e funciona como uma onda:
- O Pico (Subida Temporária): Nos primeiros 2 a 4 dias após a aplicação, o estradiol atinge sua concentração máxima antes de começar a declinar gradualmente.
- O Ponto Mais Baixo (Nível de Vale): Conforme os dias passam, o hormônio vai caindo devagar até atingir o seu nível mais baixo logo antes da próxima dose. Esse ponto mais baixo da curva antes da aplicação seguinte é o que a farmacologia chama de nível de vale.
A referência geral das diretrizes internacionais (como WPATH SOC8, que cita 100 a 200 pg/mL) se refere ao nível no vale (antes da próxima dose). No uso de injetáveis, é comum que as concentrações no vale fiquem acima de 200 pg/mL (frequentemente entre 200 e 350 pg/mL), o que é clinicamente esperado para manter a testosterona plenamente suprimida. O objetivo essencial é garantir que, mesmo no dia em que o efeito da injeção está quase no fim, você ainda tenha hormônio suficiente no corpo para manter a feminização ativa e a testosterona bloqueada.
O Dia Certo de Ir ao Laboratório
- Orientação prática: Faça a coleta de sangue no mesmo dia em que você for tomar a injeção, mas ANTES de aplicar a picada.
- Exemplo real: Se o seu dia de aplicar a injeção é toda segunda-feira, vá ao laboratório na própria segunda-feira de manhã para tirar o sangue. Assim que sair do laboratório, você pode aplicar a sua injeção normalmente. Se o laboratório estiver fechado no dia exato, o mais próximo aceitável é fazer a coleta no dia anterior.
O Que Acontece se Você Fizer o Exame no Dia Errado?
- Se você colher sangue poucos dias após a injeção (2 a 4 dias depois): O exame vai registrar o pico temporário, mostrando níveis bem mais elevados no laudo (frequentemente entre 300 e 450 pg/mL, a depender da dose).
- O perigo desse erro: Você ou o seu médico podem se assustar achando que a dosagem está excessiva e decidir reduzir o medicamento sem necessidade. Na prática, você estará cortando uma dose que estava apenas no pico transitório da curva, deixando o corpo sem hormônio suficiente nos dias seguintes e permitindo que a testosterona volte a subir no final do ciclo.
8. Referências e Estudos Científicos
Estudos sobre Algestona, Farmacocinética, Simulações e Supressão
- Protocolo Trans SP (SMS-SP, 3ª ed., 2024): Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Protocolo para o Cuidado Integral à Saúde de Pessoas Trans, Travestis ou com Vivências de Variabilidade de Gênero no Município de São Paulo. Acesse o documento oficial (PDF)
- Ministério da Saúde / RENAME (Agência Brasil, 2022): Governo inclui contraceptivos injetáveis mensais na lista do SUS (Enantato de Estradiol + Algestona Acetofenida). Acesse a matéria oficial
- Revista Brasileira de Epidemiologia / SciELO (2019): Krüger A, Sperandei S, Bermudez XPCD, Merchán-Hamann E. Characteristics of hormone use by travestis and transgender women of the Brazilian Federal District. Rev Bras Epidemiol, 22(Suppl 1):e190004.supl.1, 2019. Acesse no SciELO
- Contraception / PubMed (2006): Coutinho EM, Spinola P, Athayde C, Noronha CF, de Melo NR, Cabral ZAF, et al. Comparison of two regimens of a monthly injectable contraceptive containing dihydroxyprogesterone acetophenide and estradiol enanthate. Contraception, 73(3):249-252, 2006. Acesse no PubMed
- Taylor & Francis / Annals of Medicine (2024 - Estudo UNIFESP/UFU): Toffoli Ribeiro C, et al. Assessment of parenteral estradiol and dihydroxyprogesterone use among other feminizing regimens for transgender women: insights on satisfaction with breast development from community-based healthcare services. Annals of Medicine, 56(1):2406458, 2024. Acesse o estudo
- Modelagem Farmacocinética e Simulador de Estradiol Injetável (Transfeminine Science, 2021): Aly W. An Informal Meta-Analysis of Estradiol Curves with Injectable Estradiol Preparations. Transfeminine Science, 2021. Acesse a metanálise e calculadora
- Farmacocinética Original do Enantato de Estradiol: Düsterberg B, Nishino Y. Pharmacokinetic and pharmacological features of oestradiol valerate and oestradiol enanthate. Maturitas, 4(4):315-324, 1982. DOI: 10.1016/0378-5122(82)90064-0.
- Farmacodinâmica de Injetáveis Combinados (Algestona Acetofenida e Enantato de Estradiol): Sang GW. Pharmacodynamic effects of once-a-month combined injectable contraceptives. Contraception, 49(4):361-385, 1994. DOI: 10.1016/0010-7824(94)90033-7.
- Wikipedia - Enantato de Estradiol (Estradiol enanthate): Propriedades físico-químicas, farmacocinética, histórico e perfil do éster de depósito. Acesse na Wikipedia
- Wikipedia - Enantato de Estradiol / Acetofenida de Algestona (Perlutan e similares): Perfil farmacológico, formulações combinadas injetáveis, dosagens e histórico clínico. Acesse na Wikipedia
- Wikipedia - Acetofenida de Algestona (Algestone acetophenide): Farmacologia, afinidade por receptores de progesterona e perfil da di-hidroxiprogesterona acetofenida. Acesse na Wikipedia
- Clinical Endocrinology / PMC (2021): Abordagem clínica escalonada para investigar testosterona não suprimida na terapia transfeminina. Acesse no PMC
- Endocrine Practice (2025): Eficácia da monoterapia parentérica com estradiol na supressão da testosterona. Acesse no PubMed
- ADLM / AACC Guidance: Interferência de suplementos de biotina em ensaios laboratoriais hormonais. Acesse na ADLM
- Bula da Perlutan (ANVISA): Especificações do medicamento e excipiente (óleo de gergelim). Acesse aqui
- Bula do Uno-Ciclo (ANVISA): Especificações do medicamento e excipiente (óleo de amendoim). Acesse aqui