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Como o Estradiol Age

Leitura de Aprofundamento

Esta página reúne a farmacologia detalhada, bioquímica e dados teóricos sobre o estradiol, recomendada para quem deseja estudar os mecanismos a fundo. Se você busca o passo a passo prático de administração, dosagens e marcas comerciais de farmácia, consulte o Guia Prático de Uso de Estradiol.

O estradiol (ou 17β-estradiol / E2) é o estrogênio natural mais potente e o principal hormônio responsável pelo desenvolvimento de características sexuais femininas. Na terapia hormonal, usa-se apenas estradiol bioidêntico (quimicamente idêntico ao produzido pelo corpo humano: C₁₈H₂₄O₂), sendo a opção mais segura.

O que é o Estradiol e de onde vem?​

O estradiol é um hormônio esteroide. Em pessoas assinaladas com sexo feminino ao nascer, é produzido primariamente pelos ovários. Em pessoas assinaladas com sexo masculino ao nascer, existe em menor quantidade, geralmente originado pela conversão (aromatização) da testosterona nos tecidos de gordura.

Funções na Transição e no Corpo​

O estradiol atua em conjunto com a redução da testosterona para gerar modificações significativas:

  • Feminização Física: Desencadeia o crescimento mamário, redistribui a gordura para quadris e coxas, reduz a oleosidade e altera a espessura da pele.
  • Saúde Óssea: Essencial para manter a densidade dos ossos e prevenir a osteoporose (uma função vital quando a testosterona é suprimida).
  • Cérebro e Humor: Modula o sistema nervoso, influenciando no bem-estar, ciclos de sono e libido.
  • Sistema Cardiovascular: Mantém a função dos vasos sanguíneos e regula os lipídios no sangue.

A Importância do Equilíbrio​

Os níveis hormonais devem ser rigorosamente regulados na transição:

  • Níveis muito baixos: O bloqueio excessivo da testosterona somado à insuficiência de estradiol coloca o corpo em um estado análogo à menopausa (sudorese noturna, ondas de calor, fadiga extrema e, cronicamente, perda óssea).
  • Níveis excessivos: Quantidades absurdamente altas de estrogênio não aceleram os resultados. O excesso aumenta de forma crítica os riscos de trombose venosa, disfunções hepáticas (em medicamentos orais) e retenção hídrica prejudicial.
Cuidado com Doses Altas, Saturação de Receptores e SHBG

Tomar mais estrogênio do que o corpo precisa não acelera a transição. Os receptores celulares de estrogênio (ERα e ERβ) atingem um platô de saturação dentro da faixa fisiológica (100 a 200 pg/mL), de modo que concentrações mais altas não aceleram a transcrição genética nem o crescimento mamário.

Quando o estradiol sobe (especialmente por via oral), o fígado aumenta a produção de fatores de coagulação e de SHBG (Globulina Ligadora de Hormônios Sexuais). A SHBG reduz a porcentagem relativa de estradiol livre, embora a quantidade absoluta de estradiol livre continue subindo junto com a dose, além de a SHBG ter afinidade 3 a 10 vezes maior pela testosterona e pelo DHT do que pelo estradiol. Na prática, doses excessivas não trazem ganho adicional de feminização e elevam desnecessariamente o risco de trombose e sobrecarga hepática.

Níveis de Referência e Metas​

Para uma transição segura e eficaz, os níveis de estradiol no sangue (medidos em exames de laboratório) devem seguir metas específicas:

  • Meta Padrão: Entre 100 e 200 pg/mL. Este é o intervalo recomendado pela maioria das diretrizes internacionais quando o estradiol é combinado com um bloqueador de testosterona.
  • Monoterapia (Sem Bloqueador): Para suprimir a testosterona apenas com estradiol, níveis mais altos são necessários, geralmente entre 200 e 300 pg/mL. Injetáveis são a via mais eficaz para sustentar esses níveis de forma estável.
  • Teto de Segurança: Níveis acima de 400-500 pg/mL não aceleram a transição e apenas elevam os riscos cardiovasculares desnecessariamente.

Por que a Farmácia é a Única Opção Segura?​

A escolha do medicamento é uma decisão sobre a sua saúde. O estradiol fabricado por laboratórios oficiais e vendido em farmácias comuns é o único que garante um produto estéril, livre de contaminações e com a dosagem exata indicada na caixa. Como o Brasil tem uma rede de farmácias muito acessível, não faz sentido arriscar o seu corpo com hormônios caseiros ou de origem desconhecida.

1. Prefira Sempre Produtos de Farmácia (Grau Farmacêutico)​

Medicamentos como Algestona acetofenida + Enantato de Estradiol, Oestrogel, Natifa ou Primogyna são produzidos sob rigoroso controle de órgãos reguladores (como a ANVISA). Isso garante que:

  • A dose é exata: Você recebe exatamente o que está no rótulo.
  • É estéril: No caso dos injetáveis, a pureza é garantida, evitando abscessos e infecções generalizadas.
  • Excipientes seguros: Os óleos e conservantes são testados e aprovados para uso em seres humanos.
Contraindicação: hormônios de uso veterinário

Existem estrogênios destinados a cavalos ou gado que são vendidos em lojas agropecuárias. Estes produtos nunca devem ser usados por humanos. Eles contêm concentrações e veículos químicos (óleos e solventes) que podem causar reações alérgicas violentas, infecções severas e danos orgânicos imprevisíveis. A sua vida vale mais do que qualquer economia.

2. O Risco do "Homebrew" e Hormônios Importados​

O termo homebrew refere-se a hormônios fabricados de forma artesanal ou caseira e vendidos sem registro.

  • Ausência de Controle: Não há garantia de higiene no preparo ou de que a substância no frasco seja realmente estradiol.
  • Sem Responsabilidade Legal: Se você tiver uma complicação grave, não há fabricante ou fiscalização a quem recorrer. É um mercado baseado puramente na sorte.
  • Importação: Comprar hormônios de sites estrangeiros sem registro aumenta o risco de receber produtos falsificados ou subdosados, além do risco de apreensão pela Receita Federal.

Tabela de Equivalência de Doses​

Doses estimadas para atingir diferentes níveis de estradiol no sangue. Use estes valores apenas como ponto de partida:

Via de AdministraçãoBaixo (~50 pg/mL)Moderado (~100 pg/mL)Alto (~200 pg/mL)Muito Alto (~300 pg/mL)
Oral1.0 - 2.0 mg2.0 - 4.0 mg4.0 - 8.0 mg8.0+ mg
Sublingual0.5 - 1.0 mg1.0 - 2.0 mg2.0 - 4.0 mg4.0+ mg
Gel0.5 - 1.5 mg1.5 - 3.0 mg3.0 - 6.0 mg6.0+ mg
Adesivo25 - 50 µg50 - 100 µg100 - 200 µg200 - 400 µg
Injetável (EV/EEn)1.5 mg / sem2.0 - 3.0 mg / sem4.0 - 6.0 mg / sem7.0+ mg / sem
Observações sobre a tabela
  1. Bioindividualidade: Corpos diferentes absorvem o hormônio de formas diferentes. Exames de sangue são indispensáveis para ajuste fino.
  2. Frequência Injetável: Os valores sugeridos são para doses semanais. Intervalos maiores (ex: a cada 10 ou 15 dias) requerem doses proporcionalmente maiores para evitar quedas hormonais acentuadas (oscilações de humor/energia antes da dose).
  3. Lenzetto (Spray): Não está incluído nesta tabela de referência porque os estudos clínicos mostram uma absorção muito baixa e imprevisível na maioria das pessoas. Porém, por conta da individualidade de cada organismo, existem pessoas que conseguem absorver o spray muito bem e obter ótimos resultados (detalhado no texto abaixo e no Guia de Uso).

Por Que o Estradiol (E2) é a Referência?​

O 17β-estradiol (E2) reproduz o hormônio exato que o corpo humano produz. Ele substituiu fármacos antigos (como o etinilestradiol e o Premarin) por ser substancialmente mais seguro e potente. Seja administrado por via oral, adesivos, gel ou injeções, as medicações entregam o hormônio bioidêntico.

Outros Estrogênios (Contexto)​

  • E1 (Estrona): Estrogênio fraco derivado da absorção oral do estradiol. Tem apenas 3-4% da potência do E2.
  • E3 (Estriol) e E4 (Estetrol): Estrogênios mais fracos e pouco presentes, não usados de forma sistemática em transições.

A História e o Perigo do Etinilestradiol (EE)​

O etinilestradiol (EE) foi abandonado na terapia hormonal transfeminina principalmente devido ao seu risco dramaticamente elevado de causar coágulos sanguíneos (tromboembolismo venoso), problemas cardiovasculares e maior mortalidade quando comparado aos estrogênios bioidênticos.

A comunidade médica baniu o seu uso na transição de gênero com base em evidências farmacológicas e clínicas sobre o risco trombótico:

  1. Extrema toxicidade hepática e hipercoagulação: Diferente do estradiol natural, a molécula sintética do etinilestradiol possui um grupo etinil na posição C17α, o que cria um bloqueio físico (impedimento estérico) que impede que as enzimas do fígado o degradem e inativem. Por ser extremamente resistente a essa degradação metabólica, o etinilestradiol persiste no fígado, resultando em uma potência hepática de 350 a 1.500 vezes maior do que a do estradiol oral comum. Esse impacto tóxico e desproporcional faz com que o fígado altere a sua síntese de proteínas e produza quantidades massivas de fatores de coagulação, criando um estado hipercoagulável perigoso no sangue da paciente.

  2. Evidência clínica de trombose (risco 45 vezes maior): Nos anos 1980, um estudo conduzido pelo Centro de Especialidade em Disforia de Gênero (CEGD) em Amsterdã revelou as consequências dessa superdosagem sintética. A clínica constatou que o uso de altas doses de etinilestradiol (frequentemente associado ao acetato de ciproterona) em mulheres trans aumentava o risco de trombose em 45 vezes em relação à incidência esperada na população geral. Foi observado também um aumento alarmante na mortalidade e em outras morbidades nesse grupo de pacientes.

    Quando os endocrinologistas substituíram o etinilestradiol por doses fisiológicas de estradiol bioidêntico (oral ou transdérmico), a incidência de trombose e complicações vasculares despencou consideravelmente. Revisões sistemáticas e metanálises modernas confirmaram definitivamente que o etinilestradiol está associado ao maior risco de tromboembolismo venoso entre todas as formulações estrogênicas já estudadas.

  3. Impossibilidade de monitoramento laboratorial: Um agravante clínico e prático que forçou o seu abandono é que os exames de sangue laboratoriais convencionais que medem o "Estradiol" não conseguem detectar nem quantificar os níveis de etinilestradiol circulantes no sangue. Isso torna o monitoramento laboratorial da terapia impossível, impedindo que os médicos avaliem se a paciente está em uma faixa hormonal segura ou se está em uma superdosagem suprafisiológica.

  4. Proibição expressa pelas diretrizes médicas atuais: Diante desse risco inaceitável e perfeitamente evitável à vida das pacientes, as principais diretrizes médicas mundiais de saúde transgênero aboliram a substância. Tanto a Sociedade de Endocrinologia (Endocrine Society) quanto a 8ª versão das Normas de Atenção da WPATH (SOC8) recomendam explicitamente contra a prescrição de etinilestradiol, determinando que ele não deve ser usado como parte de nenhum tratamento hormonal de afirmação de gênero.

    No Brasil, os protocolos atuais do Sistema Único de Saúde (SUS) também endossam a contraindicação absoluta dos estrogênios sintéticos pelo grave risco de doença cardiovascular, orientando que pacientes que eventualmente ainda usem esses fármacos em automedicação (como anticoncepcionais comerciais) recebam orientações para a substituição imediata por opções bioidênticas seguras.

Contraindicação: pílulas anticoncepcionais na transição

Por conta do risco de trombose extremamente elevado comprovado historicamente, o uso de etinilestradiol é expressamente proibido na terapia hormonal.

Evite pílulas contraceptivas de balcão: Diane 35, Selene, Ciclo 21, Iumi, Yasmin, Level, Femina, entre outros.

Atualmente, a terapia hormonal transfeminina prioriza o uso de estradiol bioidêntico (o 17β-estradiol), preferencialmente em vias não orais (como gel transdérmico ou injeções), por proporcionar a mesma eficácia na feminização corporal, com um perfil de segurança cardiovascular superior.

Vias de Administração​

Via Oral e Sublingual (Comprimidos)​

Medicamentos como Primogyna e Natifa contêm estradiol ou valerato de estradiol.

  • Oral (engolir): Embora seja segura para pessoas jovens e saudáveis em doses padrão, é a via com maior impacto hepático. Ao engolir o comprimido, ele passa obrigatoriamente pelo fígado (efeito de primeira passagem). Isso gera duas consequências importantes:
    1. Conversão em Estrona (E2:E1): O fígado metaboliza parcela significativa do estradiol (E2) e o transforma em estrona (E1), um estrogênio muito mais fraco (com cerca de 4% da potência). Isso gera uma proporção desequilibrada (em geral desfavorável ao E2), bem diferente do perfil ideal feminino natural.
    2. Risco de Coagulação: Essa sobrecarga direta no fígado estimula a produção excessiva de fatores de coagulação (como Fator VII, X e Fibrinogênio) e reduz os anticoagulantes naturais (como Antitrombina), o que aumenta de forma significativa o risco relativo de trombose em relação às vias não orais (que entram direto no sangue e evitam esse estresse inicial no fígado).
    3. Sobrecarga Hepática (O que acontece no fígado): O fígado é o principal órgão de metabolização do organismo. Toda substância engolida é levada do estômago e intestino direto ao fígado pela veia porta em alta concentração. Quando expostas a doses excessivas de fármacos por via oral, as células hepáticas trabalham sob estresse metabólico contínuo, podendo sofrer microlesões ou inflamação (detectadas pela elevação de TGO e TGP nos exames), alterar a síntese de proteínas hepáticas (elevando fatores pró-coagulantes e SHBG) e sobrecarregar a drenagem biliar (elevação de GGT e bilirrubinas).
Risco por Idade e Fumo (Via Oral)

Pessoas com mais de 40 anos ou fumantes devem evitar a via oral. O risco de trombose e complicações cardiovasculares aumenta de forma significativa nessa via por conta da sobrecarga hepática. Para entender em detalhes como se proteger e quais caminhos seguir, consulte nossa seção sobre Terapia Hormonal Após os 40 Anos.

  • Sublingual ou Bucal: Ao deixar o comprimido dissolver na boca, o estradiol passa diretamente pela mucosa sublingual (que é extremamente vascularizada) direto para a corrente sanguínea. Isso evita a maior parte do efeito de primeira passagem no fígado, mantendo uma proporção de estradiol (E2) mais favorável em relação à estrona (E1).
    • Dica prática (Natifa vs. Primogyna): Se optar por usar comprimidos por via sublingual ou bucal, o Natifa (17β-estradiol hemi-hidratado micronizado) costuma ser muito mais prático do que a Primogyna (valerato de estradiol em drágea). O Natifa dissolve de forma limpa sob a língua em poucos minutos (cerca de 5 a 10 minutos). Já o revestimento açucarado da Primogyna demora mais para desmanchar, tornando a dissolução lenta, arenosa e desconfortável, o que estimula a salivação excessiva e leva a engolir parte do princípio ativo antes da absorção completa pela mucosa.
    • Atenção aos Picos: Essa via gera picos hormonais altíssimos e rápidos que caem drasticamente em poucas horas (meia-vida de 4 a 6 horas). Para manter os níveis estáveis, é indispensável fracionar a dose ao longo do dia (a cada 8 ou 12 horas).
    • Nuance Hepática: Mesmo escapando do "passeio" inicial pelo fígado, os picos agudos e pulsáteis do sublingual ainda circulam e podem estimular levemente a produção de proteínas de coagulação. Por isso, embora seja muito mais seguro que a via oral, ele ainda pode ter um impacto modesto superior ao da via transdérmica (géis ou adesivos) em doses elevadas.

Via Transdérmica (Pele)​

Na via transdérmica, o estradiol é absorvido através da pele para entrar diretamente na corrente sanguínea. É considerada uma das rotas mais seguras, especialmente para pessoas acima de 40 anos ou com fatores de risco cardiovascular.

Absorção e Efeito Reservatório​

  • Difusão Passiva: O estradiol transdérmico atravessa as barreiras da pele por meio de difusão passiva. Ao ser aplicado, o hormônio migra progressivamente pelo estrato córneo, pela epiderme e pela derme até alcançar os vasos capilares locais, que o transportam para a circulação sanguínea.
  • Reservatório Cutâneo: A pele e o tecido adiposo retêm o hormônio temporariamente, liberando-o de maneira contínua e gradual.
  • Estabilidade: Esse mecanismo evita picos e quedas bruscas nas concentrações hormonais, mantendo níveis mais constantes do que as vias oral ou sublingual.

Adesivos, Géis e Sprays​

  • Adesivos: São colados na pele e liberam o estradiol de forma constante. A troca ocorre uma ou duas vezes por semana. A maioria dos modelos antigos ou atuais usa o sistema de matriz, que distribui o hormônio de maneira uniforme pelo adesivo.
  • Géis: São aplicados diariamente nos braços, abdômen ou coxas e secam em poucos minutos.
  • Sprays: Aplicados diariamente sobre a pele. Formulações em spray (como o Lenzetto) costumam apresentar absorção mais baixa ou instável, podendo ser insuficientes para algumas pessoas.

O Desvio do Fígado e a Segurança Vascular​

A principal vantagem dos transdérmicos é evitar a primeira passagem pelo fígado (circulação portal hepática), pois o estradiol entra na circulação sem passar pelo sistema digestivo.

  • Menor Impacto na Coagulação: Ao contornar o fígado, o estradiol transdérmico evita o estímulo hepático de primeira passagem que ocorre com o uso de comprimidos. Em estudos com mulheres na pós-menopausa em doses habituais (como o estudo ESTHER), a via transdérmica não elevou o risco de tromboembolismo venoso em relação ao grupo controle, e na terapia hormonal transfeminina apresenta o menor impacto sobre fatores de coagulação, sensibilidade à insulina e SHBG entre todas as vias disponíveis.
  • Proporção Hormonal Natural: Esta via mantém a proporção entre estradiol e estrona próxima a 1:1, semelhante ao perfil biológico natural. A via oral, por outro lado, converte a maior parte do estradiol em estrona no fígado, gerando um desequilíbrio favorável a esse hormônio mais fraco.
  • Dados Clínicos: Diretrizes internacionais (como a WPATH SOC8) e ensaios clínicos (como o estudo PATCH) apontam que a via transdérmica apresenta perfil cardiovascular substancialmente mais seguro que a via oral. A transição de pacientes acima de 40 anos para a via transdérmica reduz de forma expressiva a ocorrência de eventos trombóticos.

Locais de Aplicação e Restrições​

  • Locais Recomendados: Abdômen inferior, nádegas, coxas, flancos ou braços. No caso de adesivos, a absorção nas nádegas é cerca de 20% a 25% superior à do abdômen.
  • Restrição Absoluta (Mamas): O estradiol não deve ser aplicado nas mamas sob hipótese alguma. Não há indícios de que isso melhore o desenvolvimento mamário, e os efeitos no risco de câncer de mama são desconhecidos.
  • Restrição na Região Genital ou Escrotal: Embora a aplicação escrotal ou genital seja debatida em fóruns avançados visando aumentar a absorção, essa prática gera picos rápidos e imprevisíveis de estradiol no sangue, seguidos de quedas acentuadas. Em um guia de referência geral, deve-se orientar manter a aplicação nos locais seguros padronizados (braços, coxas, abdômen e flancos), que asseguram estabilidade e previsibilidade aos níveis hormonais.

Comparação de Eficácia​

  • Níveis Sanguíneos: Os adesivos costumam ser mais eficazes para atingir e manter níveis estáveis. Um único adesivo de 100 µg/dia mantém, em média, entre 50 e 100 pg/mL de estradiol no sangue, e a associação de mais adesivos aumenta esse valor de forma linear. O gel em dose padrão de 3 mg/dia atinge cerca de 100 pg/mL. Alcançar patamares maiores com o gel exige a aplicação de grandes volumes em áreas extensas do corpo, o que dificulta o uso diário.
  • Equivalência de Potência: Um adesivo de 50 µg/dia equivale a cerca de 1,5 mg/dia de gel. Um adesivo de 100 µg/dia equivale a aproximadamente 2 mg de estradiol oral.
  • Praticidade e Efeitos Locais: Os adesivos requerem aplicação semanal ou semissemanal, mas podem causar irritação na pele ou descolar antes do prazo. O gel exige aplicação diária e tempo para secagem, mas funciona como alternativa para quem tem sensibilidade aos adesivos.
CaracterísticaAdesivos TransdérmicosGel Transdérmico
Níveis de EstradiolMais altos e consistentes.Geralmente mais baixos.
MonoterapiaViável (com múltiplos adesivos).Pouco viável em locais convencionais.
ConveniênciaAlta (aplicação semanal/semissemanal).Média (aplicação diária).
EstabilidadeNíveis muito constantes.Estáveis por 24 horas.
Limitações ComunsIrritação local e descolamento.Necessidade de secagem diária.

Via Injetável (Intramuscular)​

No Brasil, a injetável mais comum à disposição (e de mais fácil acesso) é uma preparação combinada de Enantato de Estradiol (10 mg) e Algestona Acetofenida (150 mg). Essa formulação ficou historicamente conhecida sob a marca Perlutan.

A Marca Perlutan foi Descontinuada

A farmacêutica Boehringer Ingelheim encerrou a importação e distribuição da marca original Perlutan® no Brasil. No entanto, o nome tornou-se um sinônimo popular. Hoje, você encontra exatamente a mesma formulação nas farmácias sendo vendida por meio de genéricos (buscando pelo nome dos princípios ativos) ou marcas similares (como Uno-Ciclo e Pregnolan). Para orientações práticas de administração, dosagens em mL, fracionamento em seringa e intervalos, consulte o Guia Prático da Via Injetável.

O Papel da Algestona Acetofenida (DHPA)​

A algestona acetofenida (DHPA, ou acetofenido de di-hidroxiprogesterona) é um progestágeno sintético de depósito derivado da 17-hidroxiprogesterona. É administrada por via intramuscular profunda em veículo oleoso de liberação lenta.

  • Uso comercial: Desenvolvida na década de 1950, a substância é vendida em associação fixa com o enantato de estradiol como contraceptivo injetável mensal. No Brasil, ampolas contendo 150 mg de algestona acetofenida e 10 mg de enantato de estradiol circulam sob nomes comerciais como Perlutan, Uno-Ciclo, marcas similares e genéricos.
  • Mecanismo central de supressão: A algestona atua como agonista dos receptores de progesterona com potência cerca de 2 a 5 vezes superior à da progesterona natural. Não possui ação antiandrogênica periférica direta (não bloqueia receptores de andrógenos nos tecidos, ao contrário da bicalutamida). O efeito redutor sobre a testosterona ocorre por inibição central: a substância gera retroalimentação negativa no hipotálamo e na hipófise, diminuindo a liberação pulsátil de GnRH e a secreção de LH e FSH. Sem o estímulo do LH, as células de Leydig nos testículos reduzem drasticamente a síntese de testosterona.
  • Eficácia observada em ambulatórios: Um estudo observacional da UNIFESP e da UFU (Ribeiro et al., 2024, n = 101, sendo 53 no grupo injetável) avaliou mulheres trans que utilizavam essa formulação combinada em intervalos médios de 24,6 ± 6,6 dias (predominantemente a cada 21 a 30 dias). Mesmo com esse espaçamento, a longa meia-vida da algestona (~24 dias) manteve a testosterona e o LH suprimidos em níveis comparáveis aos obtidos com esquemas orais diários de acetato de ciproterona, com concentrações médias de estradiol nas coletas em torno de 186 pg/mL e taxas de satisfação com o desenvolvimento mamário entre 71% e 76%.
  • Assimetria de meia-vida e intervalo prático de aplicação: Apesar de a algestona manter a supressão de LH por 3 a 4 semanas, o enantato de estradiol tem meia-vida muito mais curta (cerca de 5,6 a 7 dias). Quando se aplica 1 ampola inteira a cada 21 ou 30 dias, ocorre um pico acentuado de estradiol na primeira semana seguido de queda acentuada do estrogênio nas semanas finais, além de exposição a uma carga alta de progestágeno (150 mg de uma vez), o que favorece retenção de líquidos, inchaço e oscilações de humor no fim do ciclo. Por isso, na prática clínica e comunitária recomenda-se não seguir o intervalo contraceptivo de 30 dias da bula, priorizando intervalos de 7 a 14 dias (frequentemente com fracionamento do volume para 0,3 a 0,5 mL nas aplicações semanais ou de 10 dias) para manter níveis de estradiol estáveis durante todo o mês.

Essa formulação evita a primeira passagem pelo fígado e garante absorção gradual. Por ter proporção fixa entre estrogênio e progestina, não permite alterar a dose de um componente sem alterar a do outro.

Por Que a Testosterona Nem Sempre Baixa (Mesmo com Injeção ou Estradiol Alto)​

Existe a ideia comum de que qualquer injeção com estradiol ou progestina suprime toda a testosterona de forma automática. Os dados clínicos mostram que a resposta varia entre indivíduos. Na literatura médica, a monoterapia estrogênica alcança a meta feminina de testosterona (abaixo de 50 ng/dL) em cerca de 82,6% dos casos, deixando uma parcela que necessita de ajustes. Quando os exames indicam testosterona acima do esperado mesmo com estradiol elevado, os fatores mais frequentes são:

  1. Escape no final do intervalo por espaçamento excessivo: O enantato de estradiol tem meia-vida de eliminação de 5 a 6 dias, enquanto a algestona residual tem depuração mais longa. Se as aplicações forem muito espaçadas, a concentração de estradiol desce abaixo de 200 pg/mL nos dias anteriores à próxima dose. Nesse ponto mais baixo, o hipotálamo perde o freio inibitório e a hipófise volta a disparar pulsos de LH, fazendo as células de Leydig produzirem testosterona novamente. A coleta laboratorial precisa ocorrer no dia da injeção, antes da aplicação, para verificar se esse ponto de menor concentração está protegido.
  2. Andrógenos de origem suprarrenal (adrenal): O estradiol e a algestona inibem apenas a produção testicular mediada por LH. As glândulas suprarrenais continuam produzindo precursores androgênicos sob estímulo do hormônio ACTH, como DHEA, sulfato de DHEA (DHEA-S), androstenediona e 11-cetotestosterona. Em pessoas com variantes genéticas (como a hiperplasia adrenal congênita não clássica) ou hiperatividade adrenal, esses hormônios continuam circulando e mantêm sinais androgênicos mesmo com o LH completamente zerado.
  3. Elevação da SHBG mascarando o exame: O estradiol estimula o fígado a produzir mais globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG). A SHBG se liga à testosterona no sangue com muita força. Quando o laboratório mede apenas a Testosterona Total, o laudo pode apresentar um valor numérico alto porque inclui essa fração inativa presa à proteína. Nesses casos, dosar a Testosterona Livre ou biodisponível indica se o hormônio ativo está realmente suprimido.
  4. Falsos positivos causados por biotina (vitamina B7): Suplementos para fortalecimento de unhas e cabelos contendo biotina interferem nos ensaios laboratoriais comuns por quimioluminescência. A biotina satura os reagentes do teste e produz um laudo artificialmente elevado tanto para o estradiol quanto para a testosterona na mesma amostra. Diante dessa suspeita, o protocolo clínico recomenda suspender a biotina por 48 a 72 horas antes da coleta ou solicitar a confirmação por espectrometria de massas (LC-MS/MS).

Conduta clínica perante a não supressão ou escape adrenal: Quando os exames comprovam que a testosterona escapou devido a intervalos longos demais, a conduta inicial consiste em ajustar o espaçamento entre as doses (por exemplo, aplicando em intervalos de 7 a 10 dias). Por outro lado, quando há escape persistente de andrógenos adrenais (como DHEA-S ou 11-cetotestosterona) ou sinais clínicos resistentes, a associação de um bloqueador direto do receptor androgênico (como a Bicalutamida) é a estratégia terapêutica mais documentada, pois neutraliza a ligação hormonal nas células quer os andrógenos venham das gônadas ou das adrenais.

Como Funciona a Injeção e o Papel dos Óleos​

Ao tomar uma injeção intramuscular, o remédio entra direto na circulação sem passar pelo fígado, o que reduz bastante a sobrecarga hepática e o risco de trombose em comparação aos comprimidos.

O segredo do efeito prolongado está na combinação entre o óleo carreador e o éster:

  • O depósito no músculo: Como o medicamento vem dissolvido em óleo vegetal e os tecidos do corpo são à base de água, o líquido não se espalha de uma vez. Ele forma uma pequena reserva no músculo e vai soltando o estradiol aos poucos pelas bordas desse bolsão para os vasos sanguíneos locais.
  • O papel do éster: O estradiol puro duraria apenas algumas horas no corpo. Para fazer o efeito durar dias, os laboratórios ligam uma cadeia de gordura (o éster, como enantato ou valerato) ao hormônio. Enquanto está preso ao éster, o estradiol fica inativo e protegido dentro do óleo. Conforme escapa para o sangue, enzimas naturais do próprio organismo quebram essa ligação e liberam o estradiol puro e ativo para agir nas células.
Atenção ao Óleo MCT em formulações independentes

Em preparações manipuladas ou artesanais (homebrew), é comum usarem óleo MCT (triglicerídeos de cadeia média). O corpo absorve o MCT muito mais rápido do que os óleos de gergelim ou rícino. Isso faz o remédio escapar do músculo depressa demais, gerando picos altos nos primeiros dias e fazendo o efeito acabar bem antes do tempo esperado.

Nas farmácias brasileiras, o éster disponível é o Enantato de Estradiol (EEn), presente na Perlutan e seus similares. Como a cadeia do enantato é longa, ele é liberado devagar, mantendo níveis hormonais estáveis por 7 a 14 dias.

Alergia ao Óleo da Injeção (Amendoim e Gergelim)​

Escolha a marca certa para o seu corpo

Toda injeção hormonal precisa de um óleo vegetal para dissolver o medicamento. Se você tem alergia a amendoim ou a gergelim, preste atenção na marca antes de comprar:

Quem tem alergia a amendoim deve optar pela Perlutan ou pelos genéricos. Quem tem alergia a gergelim deve optar pelo Uno-Ciclo. Sempre confira a bula na farmácia antes de aplicar para evitar reações alérgicas.

Terapia Hormonal Após os 40 Anos​

Para pessoas transfemininas com mais de 40 anos, a terapia hormonal continua sendo segura e traz melhorias profundas na qualidade de vida. Estudos científicos indicam que pessoas trans mais velhas costumam relatar um ganho de bem-estar com a transição de gênero que muitas vezes supera o de adultos mais jovens. No entanto, o cuidado com a saúde cardiovascular e a prevenção de coágulos (trombose) exigem ajustes práticos no protocolo.

As principais diretrizes estabelecidas pelo SUS e pelas normas internacionais da WPATH (SOC8) trazem os seguintes cuidados essenciais:

1. Gel e Adesivos como a Opção Mais Segura​

O ponto principal para quem passa dos 40 anos é a transição recomendada na via de administração do estrogênio. O uso de comprimidos orais deixa de ser recomendado e a via transdérmica (géis ou adesivos) passa a ser a escolha prioritária.

  • O motivo: O risco de trombose aumenta naturalmente com a idade. Quando o estrogênio é engolido, ele passa pelo fígado e estimula a produção de proteínas de coagulação. Ao usar gel ou adesivo, o hormônio é absorvido pela pele e entra direto na circulação, evitando essa sobrecarga hepática. Isso reduz drasticamente os riscos circulatórios.
  • Dados clínicos: As diretrizes da WPATH destacam que clínicas europeias de referência (como a de Amsterdã e os dados do estudo ENIGI) registraram uma queda expressiva nas taxas de trombose após adotarem rotineiramente o estradiol transdérmico para pacientes acima de 40 anos.

2. Fatores de Risco e Cuidados Cardiovasculares​

Os protocolos de saúde alertam que a terapia hormonal exige atenção redobrada se combinada a outros fatores de risco, como o consumo de álcool e o tabagismo:

  • Tabagismo e Via de Administração: O fumo é um fator de risco crítico para trombose, embolia e doenças cardiovasculares. Quando associado à terapia hormonal, esse risco se eleva substancialmente. Para pessoas fumantes, a via transdérmica (géis, adesivos ou sprays) é a recomendação preferencial na literatura médica para minimizar os riscos cardiovasculares, pois contorna a metabolização hepática. O uso de estrogênios sintéticos (como o etinilestradiol) ou de formulações injetáveis combinadas deve ser evitado.
  • Acompanhamento a Longo Prazo: Mesmo sem histórico familiar ou predisposição genética a coágulos, o monitoramento periódico da saúde cardiovascular é recomendado a longo prazo.
  • Cirurgias de Afirmação de Gênero: O fumo duplica ou triplica as chances de complicações pós-operatórias (como necrose de tecidos e problemas de cicatrização). A cessação do tabagismo é a principal orientação médica antes de qualquer procedimento cirúrgico.
  • Outros Fatores: Hipertensão arterial não controlada, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de infarto ou AVC exigem acompanhamento clínico próximo e a substituição preferencial da via oral pela transdérmica.

3. Cuidados Específicos: Coração e Ossos​

  • Exames metabólicos: O monitoramento deve incluir exames de sangue frequentes para avaliar a glicemia e o perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos), além de acompanhar a pressão arterial.
  • Saúde Óssea pós-cirurgia: Se você realizou orquiectomia ou cirurgia de redesignação sexual, o corpo deixa de produzir testosterona. Nesses casos, nunca interrompa o uso do estradiol de forma abrupta. O corpo humano necessita de pelo menos um hormônio dominante para a manutenção dos ossos. Ficar sem nenhum hormônio após os 40 anos provoca perda acelerada de massa óssea e osteoporose severa. Recomenda-se realizar densitometria óssea (DXA) conforme orientação médica para acompanhar a saúde do esqueleto.

Produtos e Acesso no Brasil​

  • Injetáveis combinados (Genéricos da Perlutan / Uno-Ciclo): Altamente acessíveis em farmácias, com venda de balcão como anticoncepcionais regulares injetáveis.
  • Gel Transdérmico (Oestrogel, Sandrena): Disponíveis de forma flexível em farmácias e sem obrigatoriedade iminente de retenção de receita na maior parte das situações práticas de balcão. Apresentam um custo médio superior aos injetáveis.
  • Spray (Lenzetto): Facilmente encontrado, mas caro e ineficaz para a maioria das transições.
  • Comprimidos (Primogyna/Natifa): Simples obtenção no balcão e preço que varia muito intermarca (comprimidos simples e sem agregados hormonais).
Atenção sobre medicamentos combinados para menopausa (Climene)

Medicamentos como o Climene combinam 2 mg de Valerato de Estradiol com apenas 1 mg de Acetato de Ciproterona nas drágeas rosadas (a cartela possui 11 drágeas brancas com apenas 2 mg de Valerato de Estradiol e 10 drágeas rosadas com a combinação). Muitas pessoas adquirem o Climene acreditando que esse 1 mg de ciproterona será suficiente para bloquear a testosterona. Na prática, essa dosagem é ínfima, formulada estritamente para proteção endometrial na menopausa de mulheres cisgênero, e é completamente insuficiente para a supressão androgênica na transição transfeminina. Além disso, a presença desse progestágeno em dias alternados desregula a rotina hormonal. Utilize sempre o estrogênio bioidêntico isolado do bloqueador.

Fontes e Referências Técnicas​

Este guia foi construído com base em protocolos internacionais, literatura científica e diretrizes brasileiras de atenção à saúde trans.

Protocolos e Diretrizes Oficiais
  • Protocolo Trans SP (2024): Protocolo para o Cuidado Integral à Saúde de Pessoas Trans, Travestis ou com Vivências de Variabilidade de Gênero no Município de São Paulo. Acesse aqui
  • WPATH SOC8: Standards of Care for the Health of Transgender and Gender Diverse People, Version 8. Acesse aqui
  • UCSF Transgender Care: Guidelines for Feminizing Hormone Therapy. Acesse aqui
  • Endocrine Society: Clinical Practice Guideline on Gender Dysphoria. Acesse aqui
Estudos Clínicos e Farmacocinética
  • Stanczyk et al. (2013): Farmacocinética e riscos do etinilestradiol vs estradiol. Acesse aqui
  • Toorians et al. (2003): Estudo clássico sobre trombose em pessoas trans. Acesse aqui
  • Canonico et al. (2007 - Estudo ESTHER): Risco de tromboembolismo venoso entre estrogênio oral e transdérmico. Acesse no PubMed
  • Langley et al. (2021 - Ensaio PATCH): Supressão de testosterona e desfechos cardiovasculares com adesivos de estradiol transdérmico. Acesse na The Lancet
  • Dittrich et al. (2005): Comparação de eficácia na supressão com agonistas de GnRH. Acesse aqui
  • Bula da Perlutan (ANVISA): Consulta e especificações do óleo de gergelim. Acesse aqui
  • Bula do Uno-Ciclo (ANVISA): Consulta e especificações do óleo de amendoim. Acesse aqui
Estudos sobre Algestona, Monoterapia e Supressão Androgênica
  • Taylor & Francis / Annals of Medicine (2024 - Estudo UNIFESP/UFU): Toffoli Ribeiro C, et al. Assessment of parenteral estradiol and dihydroxyprogesterone use among other feminizing regimens for transgender women: insights on satisfaction with breast development from community-based healthcare services. Annals of Medicine, 56(1):2406458, 2024. Acesse o estudo
  • Clinical Endocrinology / PMC (2021): Abordagem clínica escalonada para investigar testosterona não suprimida na terapia transfeminina. Acesse no PMC
  • Endocrine Practice (2025): Eficácia da monoterapia parentérica com estradiol na supressão da testosterona. Acesse no PubMed
  • JCEM (2023): Andrógenos suprarrenais e terapia hormonal em mulheres trans. Acesse na Oxford Academic
  • ADLM / AACC Guidance: Interferência de suplementos de biotina em ensaios laboratoriais hormonais. Acesse na ADLM
  • European Journal of Endocrinology (2024): Efeitos da terapia de afirmação de gênero sobre a síntese de SHBG. Acesse na Oxford Academic
Artigos e Recursos (Transfeminine Science)
  • Estrogênios e risco de coágulos (2020): Estrogênios e risco de coágulos sanguíneos na terapia hormonal. Acesse aqui
  • O papel do SHBG (2020): O papel do SHBG na terapia transfeminina. Acesse aqui
  • Estradiol Sublingual (2020): Farmacocinética do estradiol sublingual. Acesse aqui
  • Dosagens Equivalentes (2020): Dosagens comparativas e tabelas de equivalência de Estradiol. Acesse aqui
  • Introdução à TH Transfeminina (2020): Introdução à Terapia Hormonal Transfeminina. Acesse aqui
  • Metanálise de Injetáveis (2021): Metanálise sobre Estradiol Injetável. Acesse aqui
  • Alta Dosagem Transdérmica (2021): Uso de alta dosagem de Estradiol Transdérmico. Acesse aqui
  • Suspensões Aquosas (2021): Suspensões Aquosas de Hormônios Esteroideos. Acesse aqui
Recursos de Apoio e Literatura Farmacológica Complementar
  • PGHRT DIY: Protocolos e informações sobre terapia hormonal autoadministrada. Acesse aqui
  • Farmacologia de Ésteres de Estrogênio: Kuhl H. Pharmacology of estrogens and progestogens: influence of different routes of administration. Climacteric, 8(sup1):3-63, 2005. DOI: 10.1080/13697130500148875.
  • Cinética de Liberação de Injeções Depot: Düsterberg B, Nishino Y. Pharmacokinetic and pharmacological features of oestradiol valerate and oestradiol enanthate. Maturitas, 4(4):315-324, 1982. DOI: 10.1016/0378-5122(82)90064-0.
  • Farmacodinâmica de Injetáveis Combinados (Algestona e Enantato): Sang GW. Pharmacodynamic effects of once-a-month combined injectable contraceptives. Contraception, 49(4):361-385, 1994. DOI: 10.1016/0010-7824(94)90033-7.